Brexit – O Que é e Como ele Pode Afetar o Reino Unido e a União Europeia?



  

Saiba aqui o que é Brexit e como ele poderá afetar a Economia Europeia.

A Europa amanheceu esta sexta-feira, 24 de junho, com uma notícia bombástica e histórica: com 51,9% dos votos o Reino Unido escolheu pelo Brexit, ou seja, decidiu por não fazer mais parte da União Europeia (EU). O resultado do plebiscito realizado na última quinta-feira surpreendeu as expectativas, já que pesquisas apontavam que o povo britânico optaria pela permanência.

As consequências foram quase que imediatas. O primeiro ministro britânico David Cameron, que foi forçado por parte de seu próprio partido a convocar o plebiscito, mas era contra a saída do Reino Unido, afirmou que vai pedir a renúncia do cargo. Assim, caberá ao seu sucessor invocar o artigo 50 do Tratado de Lisboa. O Reino Unido terá cerca de dois anos para desfazer os acordos e deixar definitivamente a EU.

Grande parte do Partido Conservador e o partido nacionalista britânico, o Ukip, eram a favor do Brexit. Seu principal argumento era de que a economia do Reino Unido é mais criativa e dinâmica que na época da criação do bloco e que a burocracia estaria atrapalhando a economia local. Além disso, o Reino Unido nunca teve muita convicção na união do continente, diferentemente da Alemanha e da França. Questões como soberania nacional e centralização de decisões ajudam a desmotivar a participação britânica. Grupos de esquerda também estavam descontentes com as recentes políticas de austeridade adotadas pela EU. Por outro lado, Analistas afirmam que a saída pode causar uma diminuição de 6% no PIB britânico até 2030 e um rombo de £ 30 bilhões.

Já do ponto de vista da União Europeia, a saída do Reino Unido pode sobrecarregar a Alemanha no bloco. Especialistas apontam que a EU se baseava no tripé Reino Unido-Alemanha-França e destacam que os alemães podem sofrer consequências bem maiores com a saída dos britânicos devido ao período de instabilidade pelo qual a França atravessa. Outra consequência da partida britânica pode ser o possível desmembramento do bloco, caso outros países decidam seguir o mesmo rumo do Reino Unido. O Movimento 5 Estrelas, que conquistou as autarquias de Roma e Turim, já manifestou seu desejo pela realização de plebiscitos sobre o Euro e a permanência na EU. Já o partido nacionalista de Marine Le Pen, que lidera as pesquisas na França, já garantiu que irá convocar uma consulta ao povo francês sobre o assunto caso saia vencedor nas eleições presidenciais. Suécia, Dinamarca e Holanda também podem seguir o exemplo britânico.





Por outro lado, o próprio Reino Unido pode sofrer desmembramentos por causa deste referendo. A Escócia, com 62% dos votos, e a Irlanda do Norte, com 55,7%, votaram contra o Brexit e podem se separar da Inglaterra e do País de Gales, que votaram majoritariamente a favor da saída. Vale lembrar que recentemente a Escócia votou contra em um plebiscito pela independência, justamente pela permanência na União Europeia. Na Irlanda do Norte, cogita-se até uma união à República da Irlanda para que o país permaneça no bloco europeu.

No mercado, as consequências já foram sentidas nas primeiras horas desta sexta-feira. A libra esterlina atingiu seu menor valor em 31 anos, sendo negociada a US$ 1,3466. A bolsa de valores de Londres também registra uma queda histórica de 8%, a maior em 30 anos. Outras bolsas europeias também registram quedas acentuadas como a de Madri (15,9%), a de Frankfurt (10%) e a da França (7,7%).

Renato Senna Maia



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