Sustentabilidade – Preocupação Real ou Discurso Politicamente Correto?



  

Termo está cada vez mais na moda, mas será que as empresas estão realmente preocupadas com o meio ambiente?

Nunca se ouviu falar tanto em sustentabilidade. Isso nos convida a pensar o que é esse novo termo que vem dominando várias áreas. Temos casas sustentáveis, bem como produções, empresas, veículos, escolas e produtos com o mesmo termo associado. É possível crer cegamente na promessa de sustentabilidade e pagar o preço que se pede para essa nova forma de viver? Ou essa é outra forma de comércio, com uma proposta vestida de “bom moço” para nos fazer sentir menos “pecadores ambientais”?

Essas e outras perguntas tem sido ventiladas ultimamente e leva a uma discussão no mínimo plausível. Observa-se, por exemplo, os métodos de reutilização de águas servidas que são comercializadas ultimamente. Preços astronômicos, pouco acessíveis, exigem mão-de-obra específica e cara. E nasce a pergunta: Para ser sustentável, todo o processo de fabricação e materiais utilizados deveriam estar no mesmo contexto, mas estamos falando de plástico, de transporte que implica em contaminação do ar por queima de combustível, estamos falando de mais material comercializados, de mais poluição, portanto. A partícula sustentável encontra-se somente no fato de reutilizar parte da água, que não gerará custo para as administradoras de companhia de abastecimento de água, pois o indivíduo já terá pago, e muito caro, pelo sistema, e terá que arcar com a energia elétrica de bombas (energia elétrica tem impacto ambiental), com descontaminação da água recolhida e manutenção da mesma sem proliferação de insetos e doenças, com técnico laboratorial para análise eventual dessa cisterna. Então não eliminou-se um custo, apenas redirecionou. Isso não é sustentabilidade.

Todos os produtos tidos como sustentáveis e ecologicamente corretos, apresentam um preço muito superior aos demais, deixando claro não servir para as grandes massas. Mas se não serve às grandes massas, qual a redução no impacto ambiental? A ideia é muito contraditória.





Analisando por este prisma, é possível deduzir que algumas ideias são de fato reais e outras, nem tanto. Aquecimento solar é algo viável e gera uma economia real de energia, tanto para o consumidor, quanto para os fornecedores de eletricidade. Mas nada nos remete mais à sustentabilidade que o lixo! Imagine algo que as pessoas jogam fora, que até pagariam para que alguém removesse: lixo. Não tem custo e ainda pode gerar receita, estamos falando apenas de remoção. Ao pensarmos em beneficiamento, fica bastante claro que uma parte serve como adubo orgânico e outra pode ser separada e reciclada. Isso envolve mão-de-obra, geração de emprego, mas além disso, significa uma mão de obra que atualmente é informal, sem escolarização e poderia vir a ser formal e gerar receita para a família e para o Estado. Até aqui, somente benefícios. Com a separação do lixo, temos diversos materiais com valor de mercado, ainda que baixo. Mas nós não tivemos custo com o produto em si. Inclusive, a população ou as prefeituras pagam para removê-lo. Geramos receita, geramos emprego, reduzimos a quantidade do matéria desprezível, eliminamos o erro no descarte, separando-o por tipos e obtivemos nova receita com a venda. Lucro! Não só com pouco impacto ambiental, mas reduzindo o mesmo, não gerou-se lixo e não criaram-se novas formas de poluentes.

Pode-se concluir que, nada é mais autossustentável que o lixo!

Gracieli Borges Ferreira



2 Comentários - Escrever um Comentário

  1. Gracieli Borges Ferreira · Editar

    A ideia de sustentabilidade só funciona com iniciativa. Vc tem absoluta razão. Podemos até saber onde o calo aperta, mas a iniciativa pública não reage, a privada quer lucrar sobre nós… quem sabe um dia, um mero mortal idealista como nós, ganha na loteria e resolveremplacar um projeto.Enquanto? isso a gente paga pela moda com apelo ecológico e continua pisando em lixo por todo lado… #tamojunto

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