Dilma escreve Carta apoiando Plebiscito e pedindo que Senado a Inocente



  

Presidente Dilma Rousseff diz que apoiará plebiscito como condição para que o Senado a inocente no Processo de Impeachment.

Em carta lida pela senadora Fátima Bezerra (PT-RN) perante o Senado Federal, nesta terça-feira (16), a presidente afastada Dilma Rousseff expôs uma série de argumentos a fim de sensibilizar os 81 senadores quanto à sua inocência.

“Na jornada para me defender do Impeachment me aproximei mais do povo, tive a oportunidade de ouvir seu reconhecimento, receber seu carinho. Ouvi também críticas […] Acolho essas críticas com humildade e determinação para que possamos construir um novo caminho”.

E conclui: “Esse processo de impeachment é frágil, juridicamente inconsistente. O que peço às senadoras e senadores é que não se faça injustiça de me condenar por um crime que não cometi. Quem deve decidir o futuro do país é o nosso povo. A democracia deve vencer”.

Leia a integra da carta aqui.

O problema é que, segundo assessores próximos à presidente Dilma Rousseff, essa carta com a proposta de um plebiscito teria sido enviada tardiamente, já que o Congresso Nacional cada vez mais vem demonstrando alinhar-se à política de governo do presidente interino Michel Temer, não demonstrando, portanto, qualquer propensão a uma espécie de “virada de mesa” nessa altura do campeonato.

Além disso, agravou ainda mais a situação da Presidente o placar de 59 a 21 senadores (bem mais que a maioria simples necessária), que determinou o seguimento do processo de impeachment, cujo desfecho deve se dar ainda nesse mês de agosto.





O que circula nos bastidores do Congresso é que o envio da referida carta teria sido motivado, entre outras coisas, pela denúncia do ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht (em uma espécie de pré-delação), de que teria repassado o montante de R$ 10 milhões aos cofres do PMDB, com a anuência do próprio presidente interino Michel Temer.

O que parlamentares próximos à Presidente acreditam é que uma possível insustentabilidade política do governo Temer seria o suficiente para constranger os senadores a reconduzir Dilma Rousseff ao poder, com o seu compromisso de enviar ao Congresso o pedido de realização de um plebiscito para a decisão sobre novas eleições.

O problema é que, além de tentar convencer um Congresso claramente favorável à continuação do governo Temer, terá também que convencer 3/5 dos deputados à concordarem com uma mudança na Constituição, que é o que torna possível a realização de tal plebiscito.

O que se pode perceber, no final das contas, é que o que existe é apenas e tão somente aquela velha luta renhida nos bastidores da política brasileira pelo poder.

Luta que, infelizmente, choca-se com a necessidade atual e urgente de reconstrução das bases econômicas, sociais e políticas do país.

Vivaldo Pereira da Silva



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